sexta-feira, 22 de maio de 2015

No velho PV


Na tranquila Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, no tempo em que as torcidas se misturavam no Estádio Presidente Vargas, lembro do grande escritor e crítico literário Braga Montenegro, meu padrinho de batismo, trajando um bem engomado silaque e torcendo pelo Ceará Sporting Club. Quando se aborrecia com a arbitragem, levantava-se da sua cadeira cativa e, de dedo em riste, fuzilava o árbitro:

- Larápio!!!

Naquela época, as desigualdades sociais eram menores e os torcedores mais educados, portanto, se levava em conta o futebol abaixo da boa e saudável convivência de todos.

(Foto: Google)

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Pegar corda


Pra quem não sabe, antigamente, o brinquedo que se movia era ativado torcendo um mecanismo em forma de mola ou elástico que, ao ser estirado, fazia que ele se bulisse. 

Esses dois mecanismos eram chamados de "corda". Portanto, quando se dava "corda" num brinquedo, ele se bulia de forma mais avexada e energética. 

(Foto: Google)

Mentira


"A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade." (Pablo Picasso)

Não sei se minta hoje...

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O favor

Zé Flávio Teixeira.

Ainda neste mês de Maio, meu primo Zé Flávio me ligou perguntando se podia pedir um favor.

- Claro, Zé, se estiver ao meu alcance...
- Mas, não é pr'agora, não.
- Não? E pra quando é, Zé?
- Outubro.
- Pelo visto, o assunto é urgente...

Rimos.

Jornalista e ex-grande craque de basquetebol, Zé está escrevendo o livro "Zé Flávio, 1.60 de basquete". 

Quem conhece o Zé, sabe da figura que ele é.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Conquista


Quando escutou da donzela que só sairia com ele se fosse a algum lugar onde ninguém pudesse ser visto, o discreto Luizinho sugeriu: “Instituto dos Cegos!”.

(Foto: Isac Oliveira)

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Aposentadoria


Essa história quem me contou foi Seu Celmo Girão, personalidade do mais elevado caráter.

Na Secretaria em que trabalhava no setor de análise de projetos, por sua larga experiência profissional e de vida, Seu Celmo ouvia pacientemente à todos com a sabedoria que lhe era peculiar.

Pois bem, certa vez, lá pelo início dos anos 1980, começando em seu primeiro dia de trabalho na repartição, um jovem arquiteto se espreguiçando, bocejou e perguntou:

- Seu Celmo...
- Diga, doutor.
- Com quantos anos de serviço a gente se aposenta mesmo, hein?

domingo, 17 de maio de 2015

Cabelos pretos e brancos


Há algum tempo, em São Paulo, o Antonio José me contou que, quando criança, em Sobral, dava o maior valor brincar com um caminhãozinho de madeira que tinha. Pois bem, certa vez, ele empurrou o brinquedo que pegou uma velocidade danada e foi bater no quarto de sua avó. Seguindo ligeiro, ele adentrou no recinto e, para sua surpresa, deu de cara com a avó, nua. Reparador que só, perguntou:

- Vovó, por que o seu cabelo de baixo é pretim e o da cabeça é bem alvim?

Apontando com as mãos, a avó respondeu:

- Meu filho, é porque na cabeça eu só tenho preocupação...

Inteligência e mediocridade


O afronto que mais me tem chamado atenção nos últimos tempos, é o da inteligência contra a mediocridade. Agora, infelizmente, os inteligentes estão perdendo para os medíocres.

O negócio é o seguinte. Os inteligentes são desprendidos, acham que resolvem suas dificuldades na hora que bem entendem e pronto. Os medíocres são muitos e apresentam a serventia de serem corporativistas. Não é a toa que muitos deles ocupam lugares de elevada evidência. Os inteligentes trabalham com resultados. Os medíocres com rigorosos horários. Os inteligentes se entregam a simplicidade de compartilhar seus conhecimentos. Os medíocres tomam o conhecimento dos inteligentes e estabelecem condições para dominá-los.

Bem, abreviando, vamos defender a união dos inteligentes, onde eles estabeleçam uma cultura que incorpore a capacidade de interatuar de forma ativa com pessoas de históricos diferentes, no princípio de diálogo igualitário da inteligência cultural.

sábado, 16 de maio de 2015

O dom da palavra

video

“A palavra branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”, já dizia Salomão. 

Pois é, saber como dizer as coisas e quando dizê-las é um precioso dom quem nem todo mundo tem. E, em muitos casos, há quem diga que mais importante do que a mensagem que pretendemos passar, são as palavras que usamos como meio para a sua comunicação.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Corpim de violão


Um próspero comerciante dos Inhamuns, depois que ganhou um dinheirinho, reuniu uns amigos para descrever a namorada que arranjou numa festa em Poranga: 

- A caboca é mei desabonitada, mas tem um corpim de violão: reta e lisa na rabeira, com um buraco bem floreado na frente, só tem um braço e pega uma corda lascada! Agora tem uma coisa, naquele violão só quem mete a mão sou eu...

(Foto: Google)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Madeira


No rádio, eu ouvi uma mãe pedir ao delicado filho:

- Júnior, por favor, seja um fornecedor de madeira! Não seja depósito, não!

Ô povo criativo...

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Paróquia da Paz

Padre Amarílio, da Paróquia Nossa Senhora da Paz.

Na primeira metade dos anos 1970, a grande maioria da mocidade fortalezense da Aldeota e do Meireles se encontrava na Paróquia Nossa Senhora da Paz, aos domingos, no horário da missa das sete, mas, do lado de fora. De lá, a programação prosseguia no roteiro de ir ao cinema (no São Luiz, Diogo, Fortaleza, Art, Nova Metrópole, Ventura, Gazeta etc.), para depois merendar em alguma lanchonete da moda (na Bembom ou Top’s, por exemplo).

Pois é, era um desfile danado na rua Visconde de Mauá. Lembro das turmas se formando em torno dos assuntos de encerramento da semana. Bem em frente ao templo religioso, as casas tinham muros baixos que se transformavam em uma verdadeira arquibancada. 

Os rapazes fumando cigarros e as perfumadas moças mascando chicletes, com charme passeavam pra cima e pra baixo pelas calçadas, na maior paquera. Pense num burburinho! 

Agora, refletindo, acho que esse dominical programa da Paróquia da Paz era fruto da nossa rica cultura das nordestinas e interioranas quermesses religiosas. Ora, se era...

(Foto: Acervo Totonho Laprovitera)

terça-feira, 12 de maio de 2015

Solução arquitetônica

Maurício.

O Maurício havia acabado de comprar uma casa de veraneio e queixava-se que quando se deitava na rede, em seu quarto, as paredes balançavam. E foi logo avisando que queria uma solução que não gastasse mais nem um tostão, pois já havia tido muitas despesas com a compra do imóvel. Aí, eu dei a saída para a sua questão: 

- Amigo, você vai é economizar dinheiro com o que lhe direi agora. Bem, faça uma dieta rigorosa pra perder peso!

(Foto: Google)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Muito macho!


A esquina do Vaval reúne cada figura, que só vai vendo! O point dá abrigo a um magote de indivíduos, que vai do tapado ao gênio, do analfabeto ao intelectual, do pobre ao rico, do desocupado ao trabalhador... Mas tudo gente boa! Bem, pense num espaço democrático!

Outro dia, depois da novela das oito, o Bosco lá chegou para traçar calmamente a sua tradicional e farta picanha acebolada, com baião de dois, uma das especialidades da casa. Prato à mesa, era bonito de se ver o tal mamífero apresentando a sua carnívora voracidade! Sem pressa, entre uma e outra garfada, ele intercalava a refeição com tragos de cigarro e conversa fiada. E ainda sobrava-lhe disposição para arengar com algum incauto bruto.

- Ei, rapaz, tu tá tão educado hoje...
- Tô, né, Bosco...
- Vem cá, e essa camisa comprou aonde?
- Sei lá, porra, eu ganhei!
- É invocada, né?
- Tá bem...
- Ei, cara, sei não, mas tão dizendo por aí que tu é heterossexual, ó?
- Vai-te a puta que pariu, seu baitola! Heterossexual é tu, eu sou é muito macho!

domingo, 10 de maio de 2015

Perdido na serra


Eu mal havia terminado de construir minha casa, na Serra da Meruoca, quando resolvi pegar o carro e dar umas voltas pelas cercanias para desbravar as veredas do lugar. Rodei tanto que me perdi. Aí, avistei um grupo acocorado à beira da rodagem e fui logo perguntando:

- Boa noite, por favor, os senhores sabem onde fica a casa do Totonho?

Um deles olhou pra mim e rindo:

- Mas, Seu Totonho, o senhor não é o Seu Totonho?
- Eu sei que eu sou eu, mas é que estou é perdido... 

Ensinaram-me e eu, tranquilamente, pra casa voltei.

(Foto: Google)

sábado, 9 de maio de 2015

Doutor Mascarenhas

Doutor Mascarenhas.

De porte austero, porém, de conduta delicada, Doutor Mascarenhas é uma figura! Contou-me o Amaro, que, na repartição onde trabalha, é Chefe do Setor Pessoal e terror dos funcionários. Pelos corredores, cumprimenta os senhores e as senhoras com um curto e seco “bom dia” e, aos jovens, com um festejante “booom diiiaaa!”

Mas é quando encerra o expediente que ele diz ser uma pessoa igual a outra qualquer. Sei não... Numa sexta-feira:

- Doutor Mascarenhas, a turma toda tá indo pro bar do Seu Arquelau, bora?
- Obrigado, mas não posso. É que hoje minha mãe me preparou um guisadinho que é uma delícia! Como não pude almoçar com ela, mamãe guardou agora pra janta. Ah, não tem como o guisado de mainha...
- Mas, Doutor Mascarenhas, e a cervejinha do Seu Arquelau, estupidamente gelada? 
- Deus me defenda! Posso nada... Ando numa crise de garganta daquelas... 
- Tudo bem, Doutor Mascarenhas, mas o senhor gosta de jogar sinuca!
- Eu mesmo não. Um jogo onde o taco fica de fora e as bolas é que vão pras caçapas... 
- E de mulher?
- Vixe, um bicho que nem tem onde se segurar...

E lá se foi para casa o Doutor Mascarenhas, com a sua velha, conservada e secreta pasta 007, carregada de sei lá o que...

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Maestro

MG Maestro.

Dois carros chamavam atenção na década de 60: o Renault Gordini e o Renault Dauphine, fabricados pela Willys Overland do Brasil. Eram frágeis e quem os tinha tornava-se frequentador constante das oficinas.

Falando nisso, lembrei da visita que fomos fazer ao Ricardo e à Bete, na Inglaterra. Chegamos a Londres e lá estava ele esperando para nos levar a Loughborough, cidade em que morava. Enquanto arrumávamos as malas, ele me apresentou seu carro:

- Totonho, este é o meu carro.
- Legal. Qual é a marca dele?
- Maestro.
- Ah, é? Pois, tomara que hoje ele não queira fazer nenhum “concerto”! Respondi.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Água de retenção

Monumento Negra Nua, em Redenção, de Eduardo Pamplona.

Na aula de ciências, do curso ginasial, uma aplicada aluna resolveu testar o estreante professor, afilhado do diretor do colégio.

- Professor, fale-nos sobre água de retenção.

O jovem mestre, que não dominava nem um pouco a matéria, percebendo a intenção da estudante, assim se saiu:

- Ah, a água de Redenção é uma água muito boa! Em qualidade, não perde nem pra do Acarape! 
- Professor, eu disse água de retenção...
- Pois é, Redenção foi a primeira cidade brasileira a libertar todos os seus escravos. Lá, as fontes de água são do Rio Acarape, do Pacoti, de vários riachos, açudes, poços...
- Professor...
- Sim, e a festa da padroeira de lá é uma beleza...

E, emendando numa conversa sem fim, o professor não deixou a ginasial insistir no assunto, se enfiando num rosário de cantiga de grilo, até bater a hora do recreio.

(Foto: Google)

quarta-feira, 6 de maio de 2015

No toalete


A história que vou contar aconteceu em uma casa de arte, em São Paulo, por ocasião do vernissage de uma exposição de um artista alemão. 

Pois bem, depois de percorrer as salas que acolhiam as pinturas e os vídeos, pousei no salão em que as pessoas se agrupavam. Conversa vai, conversa vem, no balcão do bar, passei a provar uns drinques quando me sugeriram que eu fosse visitar o toalete da casa que era bastante interessante.

Aceitando a indicação, mesmo com a bexiga vazia, decidi ir conferir o lugar. De fato era curioso, pois a ambientação era cenográfica, com uma pequena sala de leitura com muitos livros em bem ilustradas prateleiras. Não passei de sua porta, quando percebi que uma garota de cabelos encarnados e de franja, com lábios e unhas negras, enfeitada de piercings de tudo quanto era espécie e trajando um recortado vestido negro repleto de tiras, se chegava ao toalete. Percebendo que ela dirigia-se para lá, em jeito de quem marcava lugar em fila, expliquei:

- Por favor, pode entrar. Eu só estou olhando...

Para surpresa minha, ela retrucou:

- Ô meu, eu vou entrar, mas é só! Não quero ninguém me olhando, não!

Aí, ela entrou, bateu a porta e eu nem tive como me explicar.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Fagner e Moro

O cantor e compositor Raimundo Fagner e o juiz federal Sérgio Moro foram homenageados em recente evento, em Curitiba, Paraná. 

Está pronta a abertura da música composta por Raimundo Fagner em homenagem ao juiz federal Sérgio Moro, o chefe da Operação Lavo-Jato. A música foi cantada por Fagner para o juiz e sua mulher que estavam no Rio para a cerimônia de entrega do prêmio Você Faz a Diferença, na categoria Personalidade do Ano, do jornal O Globo, no hotel Copacabana Pálace.

(Foto: Acervo de Raimundo Fagner)